Diversas

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ambição



Levo-me por vales, nas asas do vento,
Busco o que desconheço e nem entendo,
Mas voo alegre, feliz sem desalento,
Com a certeza que um dia tudo compreendo.

Vejo árvores, flores e o rio que corre livre,
Quero ter essa liberdade em mim,
Ainda que tenha de lutar como tigre,
Sei que conseguirei o meu intento enfim.

Deslizarei célere pela calçada das ausências,
Subirei suavemente a escada dos afetos,
Enfrentarei com firmeza as incoerências,
Desprezarei as mentalidades de insetos.

Há que transformar arrogância, em humildade,
Ter a dignidade e postura de quem ama,
Os que se negam, não passam da mediocridade,
Com tanta frieza na alma, será breve a sua chama.

O mundo é belo, apesar dos dissabores,
Olhemos a vida pujante em nosso redor,
Apreciemos o sol a lua e as belas flores,
Sejamos simples, humanos, vivamos com amor.

José Carlos Moutinho

domingo, 30 de outubro de 2011

Entro em mim



Deambulo pelos caminhos do meu corpo,
Entro em mim, no meu âmago;
Quero desvendar os segredos,
Que a minha alma me esconde;
Tentarei descobrir a relação do espírito,
Com a matéria corporal;
Qual é que depende do outro;
Talvez seja o espírito que tudo comanda;
Entrarei na minha mente
E arrebatarei os mistérios,
Que no silêncio dos pensamentos,
Ela encobre dentro da sua indiferença;
Quero ouvir do meu coração,
Os lamentos, os murmúrios do seu sentir,
Quero ouvi-lo gritar que ele é tão-somente,
Um instrumento à vontade da minha alma
E que os dois em simbiose perfeita,
Ditam as minhas paixões,
Os meus desejos e as minhas ilusões!
Quero abraçar os percursos do meu passado,
Sorrir as vivências do meu presente
E ansiarei pelas respostas,
Às incógnitas do meu futuro;
Quero ir mais além, para lá do Infinito,
Penetrar num desconhecido cosmos,
Que me mostre que neste nosso mundo
Tudo é passageiro e fútil.

José Carlos Moutinho

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Fantasias




Ecoam no meu peito sons vibrantes,
Murmurados por búzios beijados,
Pelas ondas enroladas nas areias do teu corpo,
Em melódicas sinfonias;
O prateado do luar acaricia-nos,
Acetina-nos a pele com um matiz feiticeiro,
Assusta o medo que nos possa cercar
E embala-nos em devaneios perdidos,
Pelo espaço infinito,
Em louco voar ao encontro das estrelas,
Que nos indiquem a estrada da vida eterna!
Somos cometas em busca do desconhecido,
Levados por sereias aladas do cosmos,
Somos o que queremos imaginar-nos,
Somos tudo e somos nada,
Entra-nos pela alma, a suavidade
Do pensamento que veleja célere
E nos transmite a serenidade;
Aquietamo-nos neste chão duro,
De nuances esotéricas:
Somos as árvores que se agitam ao toque,
Dos beijos da brisa;
Somos o sol que nos dilata os poros,
Em momentos de quietude languida;
Somos o perfume das flores que nos sorriem
E que nos hipnotiza os sentidos;
Somos afinal, sonhadores que divagam,
Na áurea da esperança deste rio sem manchas,
Que viaja para o azul purificado do mar.

José Carlos Moutinho

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Imagem idílica




Esvoaçam pétalas brancas como mariposas,
Sob este céu azul deslumbrante;
Transmitem uma imagem idílica,
De corações exuberantes de paixões
Por acontecer, em amores por inventar;
Quimera ou realismo que transborda,
Pelos mares da fantasia,
Navegados até ao horizonte das emoções,
Em canoas de felicidade,
Remadas pelos braços do cupido,
Sopradas pela brisa das sensações,
Que penetram fundo nas almas,
Ansiosas pelo infinito desconhecido
Energizadas pelo sol escaldante,
Dos desejos vulcânicos,
De prazeres imaginados;
Gaivotas sobrevoam como anjos,
Acompanhando o murmurar das ondas,
Em melodias fantásticas;
O sol refletido no dorso do mar,
É o espelho que desnuda as verdades
E mostra as vaidades e fraquezas,
Mas que esconde os pensamentos.

José Carlos Moutinho

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Continuarei a poetar




Sorrio as letras que faço beijar o papel branco
E que se fazem palavras acariciadas,
Pela vontade da imaginação criativa;
São palavras vadias nos pensamentos,
Que divagam entre o nada e o tudo,
E aconchegam a razão com a fantasia,
A ilusão com o coração
E a paixão no sonhar da alma!

Interrogo-me porque escrevo eu isto,
A que me levam estas palavras,
Feitas frases e destas pétalas de estrofes,
Em bouquets de belos poemas?

Como explicar este fenómeno,
Da mente que inventa ideias,
Transformadas em harmonia,
De alienatórias palavras,
Em beleza de encantada poesia?

Após esta admiração pelas letras,
Conjugadas em palavras,
Harmonizadas estrofes
Eis surgido o poema.

Depois deste namoro,
Entre mim, o papel e as letras,
Cujo resultado está aqui,
Vem a avaliação de quem me lê;

Dizem uns… bonitinho mas pobre,
Outros, que é excelente, bela construção poética
E os mais entendidos e radicais…
É uma nulidade, sem rima, sem métrica, sem estrutura….
Isto não é poesia!

Acariciei as letras,
Beijei as palavras,
Abracei os versos,
Para criar esta minha obra,
Submeto-me à apreciação do comentário,
Que se for sincero, mostra que não sou poeta,
Se, for por simpatia, continuo iludido que o sou,
Mas por quem sabe do tema, é diferente,
A crítica tem valor, é valiosa, qualifica…
Mas afinal, porquê quem critica, não escreve?
Sei que sou como sou, escrevo como me apetece
E continuarei a tentar poetar.

José Carlos Moutinho

sábado, 22 de outubro de 2011

Murmúrios distantes




Sufocam-me os dias do meu estar,
Aperta-se-me o peito angustiado pelo nada;
Solta-se-me um grito estrangulado
Que voa, pelos vales da esperança,
E é a tua voz, que no eco, me responde,
Palavras de amor e arrependimento;
Mas estão longe, muito longe,
E chegam-me num murmúrio…
Perdem-se na distância dos erros cometidos
E momentos sofridos,
Que nem os místicos luares sararam;
Tampouco as estrelas que nos iluminavam,
Te mostraram a luz do nosso caminho;
Desperdiçaste a felicidade que se te oferecia,
De um coração aberto e uma alma transbordante,
De alegria constante!
Recusaste o sol que aqueceria a tua frieza,
Renegaste até os perfumes que a natureza,
Te colocou na floreira da tua vida,
Na forma de belas rosas vermelhas,
Oferecidas em instantes de êxtase

Agora o Universo gira num desatino,
Descontrolado pela razão da inconsciência,
Que me leva a uma irónica saudade,
Que não faz mais sentido,
Metamorfoseada por outras razões.

José Carlos Moutinho